Domingo, Maio 11, 2008

Primeira Vez que concordo com Delfim Netto

Na Coluna de Elio Gaspari na Folha de São Paulo deste domingo:

"AULA VELHA
Do professor Delfim Netto, diante das malfeitorias de que é acusada a Força Sindical:
"Sindicato mais política é igual a corrupção. O professor italiano Gaetano Mosca ensinou isso há quase cem anos"."

Idem para o governo Lula, rodeado de sindicalistas.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Extrema-esquerda no seu melhor

O jornal A Hora do Povo é sinônimo de jornalismo de qualidade:

A escolha de “Veja”: apoiar chantagem de travestis contra ídolo nacional

Já na chamada de capa, “A Escolha de Ronaldo”, a mal cheirosa publicação se lambuza no endosso à versão dos travecos, ao mesmo tempo em que omite a conclusão do delegado que ouviu as partes: o craque foi vítima de uma tentativa de chantagem. Ronaldo escolheu não ceder a ela e Veja a apoiá-la. Cada um escolhe conforme o seu caráter.

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Os maiores intelectuais vivos

A revista Foreign Policy está pedindo a nossa ajuda. Para votar é muito fácil.
Minha lista:
- Lawrence Summers (por ser meu ídolo acadêmico)
- Robert Putnam (figura importante na minha área de estudo)
- Jeffrey Sachs (uma inspiração como ser humano)
- Paul Krugman (pelas convicções)
- Fernando Henrique Cardoso (para irritar os petistas)

Segunda-feira, Abril 21, 2008

Ainda dá para Hillary vencer a nomeação



Piadinha.

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Chinês gosta mais de livre mercado que brasileiro

E que britânico, e que chileno, e que alemão...

Fonte.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Pagar bem políticos compensa

Sempre achei isso. Nunca critiquei aumento no salário dos políticos. Eu ainda acho que eles ganham pouco. Quer poupar? Corte verba de gabinete.
Segundo pesquisa do economista Claudio Ferraz da FGV-Rio e do Ipea, pagar bem aos políticos brasileiros compensa.

Recent studies have emphasized the importance of the quality of politicians for good government and consequently economic performance. But if the quality of leadership matters, then understanding what motivates individuals to become politicians and perform competently in office becomes a central question. In this paper, we examine whether higher wages attract better quality politicians and improve political performance using exogenous variation in the salaries’ of local legislators across Brazil’s municipal governments. The analysis exploits discontinuities in wages across municipalities induced by a constitutional amendment defining caps on the salary of local legislatures according to municipal population. Our main findings show that increases in salaries not only attracts more candidates, but more educated ones. Elected officials are in turn more educated and stay in office longer. Higher salaries also increase legislative productivity as measured by the number of bills submitted and approved, and the provision of public goods.

Mais aqui.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Lula: economista neoclássico

Eu tenho andado bastante afastado do blog. Primeiramente, por falta de tempo e preguiça. Mas no fundo, também porque não tenho nada a escrever. Nosso tempo aqui no blog costuma ser ocupado por críticas ao governo petista (bons velhos tempos aqueles das invasões na nossa caixa de comentários) e alguns elogios (raros) aos governos tucanos. Afinal, somos filiados ao PSDB, e o contrário seria estranho.
Mas o número de bobagens que o governo federal tem feito nos últimos meses tem surpreendentemente diminuído. E por isso a economia anda bem. E por isso a popularidade do presidente tem disparado. E por isso eu não tenho tido inspiração para escrever.
Lula é no fundo a personificação das teorias econômicas neoclássicas (ou neoliberais, argh). Quanto menos ele se intromete, melhor para o país.
O mundo neoclássico é simples assim.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Divórcio da droga

O Clube da Comédia é um grupo de humoristas que fazem suas apresentações nas noites da Vila Madalena. Já os assisti e ri muito. Parte destes humoristas, juntamente com o Marcelo Tas, estão com um programa na TV Bandeirantes nas segundas à noite. Uma espécie de "Pânico" mais inteligente e menos grosseiro.

No primeiro programa, exibido há duas semanas, o senador Eduardo Suplicy havia confessado seu envolvimento com drogras na adolescência (segundo o Marcelo Tas, a maconha "está fazendo efeito até hoje" no petista). Suplicy pediu um direito de resposta, que deu no vídeo a seguir. Hilário.



Detalhe: Suplicy não discordou da pergunta feita pelo humorista e "repórter inexperiente" Danilo Gentilli.

Quinta-feira, Março 27, 2008

De quando a burrice se distingue da desonestidade intelectual



Sempre aprendi em casa, na escola, na vida, que quem defende bandido ou é muito ingênuo, ou também é da turma.

Terça-feira, Março 25, 2008

Sem escolha

Aos que se interessem, membros do PSDB estarão promovendo o "Movimento Tucanos Pró-São Paulo" nesta quinta-feira às 19h30, através do "Ato de Candidatura Própria", favorável à Geraldo Alckmin. O evento ocorrerá no Espaço Veneza, na Alameda Barros, 204; é próximo da estação Santa Cecília do metrô.

Praticamente no mesmo horário, às 19 horas, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso proferá uma a palestra aos tucanos. Ele realizar-se-á no auditório do Hotel Crowne Plaza, na rua Frei Caneca, 1360, no 1º andar (bairro de Cerqueira César).

É dito no site do portal Terra que ambos os eventos podem entrar em concorrência, alavancando um "racha" entre tucanos.

Para onde eu vou?

Em nenhum dos lugares. Tenho rodízio e aulas na quinta-feira.

Quarta-feira, Março 19, 2008

Indubitavelmente, o Mercado (2)

Há pouco mais de um mês, a respeito do site de apostas Intrade, disse aqui no blog que "Se eu fosse rico, comprava lotes de John McCain (só está com 33% de chance de ganhar a eleição). Arbitragem total."

Agora o McCain está com 39%. Se apostasse R$ 10 mil há 40 dias, teria ganho 600 reais agora. Nada mal.

Já Obama está com 43% de chances de levar a eleição, mas já esteve acima de 50%. Ou seja, quem vendeu Obama na alta teve realização de lucros. E 16% ainda acreditam na Hillary.

Certamente, está mais fácil apostar na eleição americana ou na Fórmula 1 que na Bovespa.

Quarta-feira, Março 12, 2008

Encruzilhada

Quando há uma crise econômica, e se sabe que o objetivo da política econômica é alavancar o crescimento, as soluções tendem a ser mais óbvias. Ampliam-se os gastos do governos, reduzem-se os impostos, de um lado, e baixam-se os juros, de outro.

Mas e quando não se sabe o rumo da economia?

Em tempos de alta volatilidade, num contexto de indefinição apesar do cenário ainda favorável na economia, a tarefa do Banco Central não é das mais fáceis.

É o que relatam o artigo do Celso Ming hoje no Estadão e o post "O “deus-mercado” e seus intérpretes" no blog do José Paulo Kupfer (provavelmente o blog mais decente do portal do IG).

Se o COPOM aumentar os juros na próxima reunião, pode contribuir ainda mais para o real valorizado, com os gringos fazendo o chamado carry trade e investindo por aqui. Pode acabar com o superávit na balança comercial brasileira e levar o país à "doença holandesa".

Se o COPOM abaixar os juros, pode alavancar o consumo interno já alavancado pela maior oferta ao crédito, provocando duas consequências: o aumento das importações, mesmo com uma queda no câmbio, e o pior: permitir o aumento da inflação através da alta demanda (lembram do Plano Cruzado?), o que comprometeria um trabalho de mais de uma década do Banco Central.

E se mantiver os juros como estão? É o que o Comitê de Política Monetária do BC vem fazendo, dizendo que “irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária". O problema é perder o ponto de partida de qualquer movimento da economia, e agir somente quando for tarde demais.

Como em toda a decisão, a política econômica enfrenta alguns dilemas. Beneficia-se um setor em detrimento de outro, prejudica certa faixa da população mais melhora a vida de outros; tais trade-offs sempre ocorrem. A questão é que poucas vezes como agora não há tanta obviedade e certeza acerca de um rumo a seguir.

Quarta-feira, Março 05, 2008

Erros e mais erros

No livro Elementos de Teoria Geral do Estado, no qual todo o estudante da área de humanidades deveria ter um exemplar em casa, o jurista Dalmo de Abreu Dallari conceitua soberania como "o poder inconstrável de querer coercitivamente e de fixar as competências" (politicamente) e como "o poder de decidir em última instância sobre a atributividade das normas" (juridicamente). Já o filósofo Miguel Reale define soberania como "o poder de organizar-se juridicamente e de fazer valer dentro de seu território a universalidade de suas decisões nos limites dos fins éticos de convivência". Dentre as características da soberania está que ela é una, pois não há duas soberanias em um mesmo Estado, por exemplo.

Por isso, quando a Colômbia invadiu o território equatoriano para atacar o terrorista número 2 das FARC, ela atacou a soberania do Equador, sim, sem razão alguma. Como justificativa da invasão, a Colômbia acusou Equador e Venezuela de patrocinarem o terrorismo. Porém a ação só se justificaria se houvessem provas. E se há documentos comprovando as relações de Hugo Chavez com o núcleo terrorista, o mesmo não ocorre com o governo do Equador. Por tal razão o argumento do Reinaldo Azevedo em seu blog é equivocado. O simples encontro entre um ministro do governo com o líder assassinado das Farc pode ser suspeito, mas nunca pode ser considerado como prova de uma conivência de todo o governo equatoriano ou justificativa para uma invasão.

Entretanto, a reação da Venezuela ao episódio é a pior possível. Oportunista, pois não envolve seu país, a não ser que ela esteja ligada de fato ao terrorismo das Farc. Inconseqüente, pois ações deste tipo podem desencadear numa guerra. Desumana, pois parece desejar uma guerra na região (talvez explique a compra pesada de armamentos. Amoral, pois defende uma facção que sequestra e mata pessoas. Ou seja, uma fanfarronice sem igual.

Pena que a mídia brasileira esqueceu de um fato parecido ocorrido em 2003. Transcrevo a notícia abaixo.

"Missão secreta atuou no Brasil sem permissão

Prioridade diplomática francesa, o caso Ingrid Bentancourt provocou tensão nas relações Brasil-França em 2003, quando o pouso de um avião militar não autorizado, em Manaus, revelou a existência de uma missão secreta para libertar a franco-colombiana. O episódio, até hoje nebuloso, foi contornado após o pedido de desculpas do Quai d'Orsay.
A Operação 14 de Julho, revelada pela revista "Carta Capital", foi inicialmente negada por Paris, que acabou por admitir a presença de militares e diplomatas franceses a bordo do Hércules C-130, em "missão humanitária". Segundo o "Le Monde", a operação foi comandada pelo então chanceler Dominique de Villepin, amigo pessoal de Betancourt. Paris negou ter negociado a troca da refém por armas. A gafe diplomática provocou troca de farpas entre Villepin e Sarkozy -que era ministro do Interior e estava na Colômbia para assinar acordo de cooperação contra o narcotráfico. Ele disse ter sido "informado tardiamente" da missão, sendo desmentido pela Chancelaria."

O caso é similar. Com o intuito de tentar resgatar a candidata à presidência da Colômbia, a franco-colombiana Ingrid Bentancourt (que ainda está em poder das Farc!), a França atacou a soberania brasileira ocupando nosso território sem autorização há cinco anos. A França fez o que a Colômbia deve fazer agora: pedir desculpas oficiais. E o Brasil, acertadamente, não fez o estardalhaço que o Equador vem fazendo, o que aliás levanta as suspeitas de quem acusa o governo de Rafael Correa de apoiar as FARC. Novamente, o combate ao terrorismo não justifica uma invasão. Nem no Iraque, nem no Brasil, nem no Equador.

Por isto, creio que a coluna do Daniel Piza seja a mais correta. O fato de rechaçarmos os atos no mínimo suspeitos de Hugo Chávez não significa que aplaudamos de pé a intransigência de Álvaro Uribe. Até porque senão ficaremos a mercê do senso comum de 'quem não está conosco está contra nós', típico de quem se considera dono da verdade.

Inexiste um lado certo nesta história. Colômbia e Equador olharão para seus próprios umbigos, e Hugo Chávez continuará a ser o fanfarrão de sempre, nem que isto resulte em mortes. O que sempre vai existir é a hegemonia da história de quem levou a melhor.

Em tempo: o Brasil e o Itamaraty vêm adotando uma postura correta neste episódio, sem tender para algum lado, e procurando reestabelecer a paz na região. Talvez por isso que o Marco Aurélio Garcia esteja tão sumido....

Terça-feira, Março 04, 2008

A tal da posição

No artigo da Dora Kramer publicado hoje no Estadão:

"Nesse quadro (sendo Alckmin candidato a prefeito, concorrendo com Kassab e Marta), vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição."

Nada mais óbvio. O simples nome de um ex-presidenciável não ganhará eleição alguma se não houver alguma meta, algum rumo e ser seguido.

Uma dica: olhar para o futuro. Especialmente o trânsito, uma questão municipal, mas que todas as cidades terão problemas, por causa do aumento do número de automóveis nas ruas.

Segunda-feira, Março 03, 2008

Por que eu sei que sou tucano

Eu sou tucano porque o único deputado de um outro partido que me agradou o suficiente para querer votar nele, sairá candidato a prefeito do Rio de Janeiro em coligação com o PSDB.

Sobre as reservas internacionais - um resumo

Segue abaixo o excelente editorial na área econômica publicado neste último sábado no Estadão sobre as reservas internacionais. Demonstra bem os prós e contras da compra de dólares que o BC vem realizando.

"O custo das reservas internacionais

O Banco Central (BC) informou ontem que teve, em 2007, um prejuízo de R$ 47,5 bilhões, 254% maior do que no ano anterior, a ser coberto pelo Tesouro Nacional, o que elevará a dívida interna. Na realidade, esse prejuízo se deve ao crescimento das reservas internacionais, que permitiram ao Brasil tornar-se credor externo, situação amplamente explorada pelo governo em seu favor.

Em 28 de fevereiro, as reservas internacionais atingiram US$ 191,5 bilhões, quantia superior à dívida externa privada e pública. Mas essas reservas têm um custo elevado, pois a redução da dívida externa se traduz em aumento da dívida interna, cujo custo é maior.

De fato, no ano passado o BC comprou US$ 78,59 bilhões, que representaram uma injeção de R$ 155,3 bilhões na economia. Isso obrigou o BC a vender títulos da dívida interna para evitar que o aumento da base monetária favorecesse uma grande inflação. Paralelamente, o BC aplica as reservas em títulos da dívida norte-americana que, com a crise das hipotecas, rendem cada vez menos. A diferença entre a taxa de aplicação e o custo da dívida interna é hoje da ordem de 8%, devendo acrescentar-se, à diferença de taxas, os efeitos da valorização cambial. Com isso, calcula-se que a perda com as reservas, no ano passado, foi da ordem de R$ 50 bilhões. Entende-se, portanto, que alguns economistas considerem que já é hora de parar de comprar divisas.

No entanto, a questão é mais complexa. As reservas permitem enfrentar a possibilidade de uma interrupção súbita dos fluxos de capitais e de um déficit em conta corrente no balanço de pagamentos. Elas permitem, além disso, reduzir o custo de captação de empréstimos externos e a percepção do “risco país”. Finalmente, oferecem ao BC um meio de controlar a taxa cambial na hipótese de uma eventual desvalorização cambial anormal.

Hoje essas compras de divisas pelo BC não estão impedindo a valorização da moeda nacional e se verifica que, em seguida a cada compra do BC, a taxa cambial volta a crescer: é difícil prever qual seria o efeito da ausência do BC no mercado cambial. De qualquer forma, já se está verificando que a intervenção do BC está se reduzindo. Diante do custo elevado dessa intervenção, talvez a solução seja apenas moderar as compras, sem deixar de realizá-las, reduzir a Selic, o que diminuiria as operações de arbitragem, e estudar uma melhor aplicação de nossas reservas."

Mantenho minha opinião: considerando a visão econômica de que algo é viável quando seu benefício marginal supera ou iguala seu custo marginal, creio que o custo de R$ 50 bi de tais reservas não seja inferior que o benefício com o grau de investimento ou com a redução do custo de captação de empréstimos. Assim, acho um equívoco o BC continuar a comprar dólares para segurar a moeda.

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

De quando não se necessita de inimigos

Publicado na seção "Em Cena" do Caderno 2 do Estadão desta quarta-feira:


"Estica e puxa

Marta Suplicy e Orestes Quércia podem voltar a fazer um acordo. Os assessores das duas partes estão empenhados num bom final, onde ela sairia para prefeita, ele para vice - e com o compromisso de, em 2010, Marta sair para governo e Quércia assumir a Prefeitura."

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Mais perto do que se imagina



Noticiado no Estadão deste último sábado:

"Bush na berlinda

Na Sony, sátiras ao presidente dos EUA

O canal Sony vai estrear em seu bloco Politicamente Incorreto - P.I., no dia 4 de março, duas comédias que satirizam o presidente americano George W. Bush. That's My Bush, que irá ao ar às 21 horas, leva a assinatura de Trey Parker e Matt Stone, criadores da animação South Park. A dupla solta a imaginação ao recriar o dia-a-dia da família de Bush e abordar temas polêmicos como aborto, porte de armas e pena de morte com crítica e bom humor.

Donick Cary, roteirista de Os Simpsons, é o responsável por Lil'Bush, que entrará em cartaz às 21h30, e mostra o presidente Bush no jardim de infância. Alguns de seus colegas de classe são a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice; o ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld; e o polêmico político republicano, Dick Cheney. Juntos, Bush e seus amigos aprontam travessuras na sala de aula (...)."


Se a mídia brasileira não faz com o atual presidente 10% do que a americana faz com o Bush, e o petismo de plantão cria a Teoria da Conspiração que conhecemos, acusando tudo e todos de golpismo, e até gasta dinheiro criando uma TV Pública, como seria se a mídia brasileira se assemelhasse à americana neste sentido?

Hugo Chávez responde.

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Doença Holandesa ou o quê?

Segundo Luis Carlos Bresser Pereira. " A doença holandesa é uma falha de mercado fundamental que se origina na existência de recursos naturais ou humanos baratos e abundantes que mantêm a taxa de câmbio sobre-apreciada por um tempo indeterminado. Quando um país sofre da doença holandesa ele tem duas taxas de câmbio de "equilíbrio" - a taxa de câmbio de equilíbrio "corrente" que equilibra intertemporalmente a conta-corrente, e a taxa de câmbio de equilíbrio "industrial" que viabiliza outras atividades comercializáveis além das que dão origem à doença que usam tecnologia no estado da arte. É um obstáculo ao crescimento do lado da demanda agregada porque limita as oportunidades de investimento."

Em seu artigo a ser publicado na Revista Brasileira de Economia Política, ele conclui que "Dutch disease is the fundamental component of the tendency to exchange rate overvaluation that characterizes developing countries."

Com o dólar ultrapassando a barreira de R$ 1,70, fica a dúvida: o Brasil sofre o contágio da doença holandesa?

Eu particularmente discordo. Acho que ainda assim as exportações brasileiras tiveram avanço, de modo que a indústria nacional não sofreu como preconizavam por causa do real valorizado. Mas creio que os argumentos dos que crêem na doença holandesa sejam bem consistentes.

Não lembro como foi o caso do gás natural na Holanda, mas se tal doença tiver efeitos só a longo prazo (exemplo: a valorização hoje do real influi na balança comercial só daqui a dois anos), pode-se considerar que os efeitos no Brasil possam estar acontecendo agora, com o crescimento das importações.

Trata-se, sem dúvida, de um debate relevante, até para ver alguma reação da heterodoxia econômica diante de suas derrotas recentes, como no caso das reservas internacionais.

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

Inflação de alimentos inexiste na USP

Foi o que pensei enquanto almoçava hoje no bandejão da USP.

Porque a refeição lá custa R$ 1,90 há mais de quatro anos.

Ou isso ou o COSEAS deve estar com um déficit mais crescente que a queda do dólar.

Hipocrisia pouca é bobagem

"O presidente Luiz Inácio da Silva pode estar apenas mal informado, mas pode ser também que esteja mal intencionado quando confere ares de naturalidade democrática à ofensiva orquestrada pela Igreja Universal do Reino de Deus contra os jornais Folha de S. Paulo e Extra e contra a agência A Tarde, da Bahia.

Todos eles, em particular a Folha, com reportagens de Elvira Lobato, publicaram material investigativo sobre as atividades que resultaram na formação de um império empresarial e de comunicação comandado por Edir Macedo, dito bispo da Universal.

"Se a Igreja Universal utilizou o Poder Judiciário, ela está utilizando um dos pilares da democracia", disse o presidente da República, cujo vice, José Alencar, pertence ao partido (PRB) que dá sustentação parlamentar à igreja, o negócio original mediante o qual Edir Macedo começou a construir seu imenso patrimônio.

Proposital ou involuntariamente, não está claro, o presidente confunde as coisas e acaba por usar os mesmos argumentos da ditadura que levaram o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC à intervenção nos anos 80 e puseram seu presidente à época, Luiz Inácio da Silva, alguns dias na prisão. As Leis de Segurança Nacional e de Greve serviram de embasamento jurídico para o ato, eram "pilares da ditadura".

A Lei de Imprensa invocada agora, no auge do furor judicante da tropa mobilizada pelo dito bispo País afora, é outro pilar de sustentação, não da democracia, como acredita - ou diz acreditar - o presidente, mas do arcabouço remanescente do autoritarismo."

Estes são trechos do artigo da jornalista Dora Kramer publicado no Estadão de hoje.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Ledo engano?




Uma emissora de TV dos Estados Unidos estava apresentando seu telejornal, e enquanto exibia uma reportagem sobre Barack Obama, a parte de trás do jornal mostrava o....Osama!

Engano? Então tá, né?

Mas não, a emissora não era a Fox News, por incrível que pareça.

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

O Poder seduz

Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

Indubitavelmente, o Mercado

Você está comprado em Hillary, ou vendido em Huckabee? Está comprado em 3 por um ou 7 por 5? Nossa, o McCain perdeu aquela primária; melhor estopar tudo....ou melhor, toma tudo!

Nada como o mercado. No site Intrade (que é a área política do TradeSports) você pode se sentir dentro do mercado financeiro e apostar nas eleições americanas como se fosse qualquer ativo de renda variável.

Se eu fosse rico, comprava lotes de John McCain (só está com 33% de chance de ganhar a eleição). Arbitragem total.

E venderia Obama, que está com 70% de chance de levar as prévias do Partido Democrata, mesmo não tendo muito apoio dos Superdelegados.

Naturalmente, vi este site através do blog do Gregory Mankiw.

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

The Economist exalta calorosamente o Bolsa Família

Se até a importante revista liberal apóia o programa, quanto tempo mais ainda vai demorar para o PSDB assumir a paternidade e levantar de vez essa bandeira?

The scheme has also helped to push the rate of economic growth in the poor north-east above the national average. This has helped to reduce income inequality in Brazil. Although only 30% of Alagoas's labour force of 1.3m has a formal job, more than 1.5m of its people had a mobile phone last year.

Look hard enough and it is also possible to find businesses spawned by this consumption boom among the poor. Pedro dos Santos and his wife Dayse started a soap factory with 20 reais at their home in an improvised neighbourhood on the edge of Maceió, the state capital. With the help of a microcredit bank, they have increased daily output to 2,000 bars of crumbly soap the colour of Dijon mustard. Nearby, another beneficiary of a microfinance scheme has opened a shop selling beer, crisps (potato chips) and sweets.

O Bolsa Família fomenta indiretamente o capitalismo local, na minha opinião a sua conseqüência mais importante.

Conclusão do artigo:

For a relatively modest outlay (0.8% of GDP), Brazil is getting a good return. If only the same could be said of the rest of what the government spends.

O destaque da reportagem, no entanto, vai para uma frase extremamente infeliz, de um economista da UFAL:

It's like Sweden with sunshine

Menas, menas.